domingo, 7 de julho de 2013

MORADORES DO ACAPULCO ESTÃO FORMANDO PARQUE ECOLÓGICO COM LAGO E ÁRVORES NATIVAS.


Por Célia Ribeiro

Após um período chuvoso, o céu azul sem nuvens e o sol se derramando sobre o vale revelam um cenário digno de cartão postal. Para completar, a chegada de um grupo de seriemas com seu andar garboso avisa aos forasteiros: este lugar já tem dono. Esse “paraíso na Terra”, como definiu a artista plástica Márcia Zaros, é o embrião do futuro parque ecológico que os moradores do Jardim Acapulco II sonham ver implantado às margens do vale na Rua Benedito Nery de Barros.

Seriemas tomam conta do lugar
Tudo começou em 2001, quando Sebastião Osni Mieto, 51 anos, mudou-se para a rua. O mato alto e a sensação de lugar abandonado o incomodavam. “Pensei em começar pela frente da minha casa, cuidando do terreno cheio de colonião, braquiária, napiê e muito mato que atraía as cobras, principalmente cascavel”, recordou, contando que sempre gostou do contato com a natureza.

No entanto, esse belo exemplo não chegou a sensibilizar os vizinhos: “Muitos moradores vinham perguntar o que eu estava fazendo, diziam que eu era louco por estar limpando a área e iniciando o plantio de espécies em extinção, como mogno, cedro-rosa, pau-brasil etc”, disse, lamentando o ceticismo de alguns moradores do bairro.
Pacus e tilápias: vida no lago próximo ao vale

Osni: amor à natureza
À exceção ficou por conta de um vizinho igualmente motivado que ele fez questão de destacar: José Basílio. Há alguns anos eles têm cuidado da ampla área, retirando o mato, molhando as mudas de árvores, recolhendo a sujeira etc. “O Basílio é um dos mais entusiasmados e, ao contrário de muita gente, sempre valorizou esse trabalho e fez questão de ajudar”, frisou Osni.

Além das árvores, um destaque são os dois pequenos lagos formados a partir de nascentes da APP (Área de Proteção Ambiental). Mais uma vez, Osni encarou o desafio e costuma dizer que grande parte do trabalho “fez no braço”,  manualmente. Na época em que estavam trabalhando nas obras do esgoto naquela região da cidade, o morador sensibilizou um maquinista que estava parado nas proximidades e ele ajudou na escavação do terreno.

 “No entanto, não podemos evoluir por causa de problemas com a contenção. Precisaríamos de uns dois caminhos de terra vermelha para a barragem”, destacou Osni. Mesmo assim, os lagos de 100 metros quadrados chegam a 1,30 metro de profundidade onde podem ser encontrados pacus de 07 quilos e tilápias de bom tamanho.

PARQUE ECOLÓGICO

“As pessoas querem ter um lugar bacana, mas acham que devem ganhar esse lugar. Elas não entendem que o tempo de cidadãos passivos, não representativos, já passou. Hoje, você precisa ser ativo, participativo, não espere que o governo venha fazer do jeito que a gente quer. Isso não vai acontecer porque não é prioridade. Existem outras prioridades para o governo que ele não está conseguindo cumprir”, afirmou a artista plástica e moradora Márcia Zaros.
 
Mogno, cedro, pau-brasil: um pouco de tudo no futuro parque ecológico

Em março de 2012 e julho de 2011, o “Correio Mariliense” mostrou a atuação de Márcia Zaros, responsável pela horta comunitária da zona oeste, instalada ao lado do Poliesportivo Américo Capeloza, em duas reportagens.

Ao se mudar para a Rua Benedito Nery de Barros, há pouco mais de um ano, conheceu os vizinhos Osni e Basílio e também passou a sonhar com o parque ecológico em que trilhas em meio a árvores e o lago repleto de peixes serão usados para o lazer da população, não apenas dos moradores do entorno, além de contribuirem com a educação ambiental das crianças e adolescentes.

Márcia Zaros
Para que este sonho saia do papel, além do auxílio da Prefeitura, com a limpeza periódica do mato e horas-máquina com tratores, eles precisam de dois caminhões de terra vermelha para a contenção dos lagos. Paralelamente, estão estudando a formalização de uma associação ambiental a ser criada com o fim exclusivo de cuidar do parque.

“Os membros da associação ambiental não precisam ser só moradores. Podem ser amigos dos moradores que queiram ajudar. O Osni, por exemplo, se mudou daqui e continua vindo quase todo dia”, afirmou a artista plástica enquanto atraía um grupo de aves com alimentação. “As pessoas acham a ideia legal, querem que faça, mas na hora de assumir responsabilidades poucos são os que têm essa coragem”, pontuou Márcia Zaros.

Ao lado, o amigo Osni concordou com a artista. O único ponto de discórdia, pelo jeito, será na hora de nomear o local: “Eu sugeri ‘Parque das Seriemas’. Mas, o Osni quer ‘Parque das Águas’ por causa do lago. Então, vamos ter que chega num acordo”, finalizou Márcia, arrancando gargalhadas do morador pioneiro.

 * Reportagem publicada na edição de 07.07.2013 do Correio Mariliense

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