domingo, 29 de abril de 2012

CAIXAS DE LEITE, DISCOS DE VINIL E ATÉ CARRETEIS DE FIOS FAZEM A ARTE SUSTENTÁVEL DE APOSENTADA NA ZONA LESTE

Por Célia Ribeiro

“O essencial é invisível aos olhos”, escreveu o pensador francês Antonie de Saint-Exupéry quando imortalizou “O Pequeno Príncipe”, sua obra mais conhecida, no início do século passado. Distante quase 10 mil quilômetros de Paris, uma aposentada segue enxergando o que poucos veem em suas andanças na região do Aeroporto de Marília, onde vive com a família. É no bairro da zona leste que ela recolhe toda matéria-prima para criar peças únicas, inspiradas na natureza.

Caixas de leite e suco se transformam em belos vasos
Teresa de Oliveira, cujos trabalhos com galhos secos, folhas, sucata garimpada em caçambas e restos de materiais de construção, foram objeto de reportagem publicada nesta página, em outubro de 2.011, continua fazendo experiências para o reaproveitamento de descartáveis que resultam em peças originais a partir de embalagens de caixas de leite e de suco (Tetra Pak).

Após curar-se de uma depressão, quando começou a trabalhar com artesanato, a aposentada de 65 anos mantém uma rotina de dona de casa, que inclui os serviços domésticos e os cuidados dos netos Giovana (12 anos) e Dudu (07 anos). Por isso, procura aproveitar ao máximo cada momento livre.
Teresa e o certificado do concurso "Talentos da
Maturidade" do Banco Santander
“Sou muito curiosa e vivo pesquisando e experimentando coisas novas. Continuo trabalhando com os quadros com galhos e folhas secas, que são muito pedidos, mas resolvi aproveitar as caixinhas de leite para ver no que resultava”, contou na manhã carrancuda da última quinta-feira, enquanto caminhava até o depósito improvisado para mostrar os vasos e caixinhas de chá confeccionados a partir das embalagens longa-vida.

ORIGINALIDADE             

Teresa de Oliveira contou que não costumava fazer trabalhos manuais na adolescência e que nunca freqüentou cursos de artesanato. Sua fórmula é a curiosidade: “Gosto de experimentar coisas novas. Vendo um monte de caixinhas de leite pensei que também poderia usá-las nos meus trabalhos. Mexi daqui e dali, usei jornais colados às lâminas das caixinhas para dar mais firmeza, esperei secar bem e passei massa corrida. Quando vi, estava pronta a base dos vasos e o trabalho seguinte seria pintar e decorar com renda, fitas, e tudo o mais”.

Caixinhas de chá: novidade que custa 10 reais
Olhando atentamente os vasos tão bem confeccionados, é difícil imaginar que cada um consumiu cinco caixas de leite (04 para as laterais e 01 para fazer a base). Após ficarem prontos, a artesã se ocupa de decorá-los com flores secas, galhos e tudo o mais que encontrar. Ela compra pouquíssimas coisas. Prefere aproveitar o que tem em casa: retalhos de tecidos, botões, linhas etc.

As caixinhas de chá foram a última novidade. Forradas com retalhos de tecido, elas são práticas e podem ser posicionadas sobre os móveis ou penduradas na parede, porque vêm com um prático lacinho e são vendidas por apenas 10 reais.

 Mas, a grande surpresa ficou com os discos de vinil: nas mãos de Teresa, eles se transformam em objetos de decoração inusitados. Podem estar riscados, com a etiqueta desbotada, nada importa: a sonoridade não é o principal. A ideia é dar uma utilidade aos “bolachões”, como são conhecidos, livrando-os dos lixões.

Disco de vinil e carretel de madeira decoram a sala
“Quando ando de carro com minha filha, gosto de ficar olhando pela janela, atentamente. Ela fica brava comigo porque estou sempre de olho em alguma coisa jogada na rua, numa caçamba de entulhos”, contou às gargalhadas a divertida artesã. Foi assim que, observando a vizinha reformar o jardim, ela correu para pegar as raízes jogadas na calçada que viraram um belo centro de mesa  com detalhes delicados.

Vaso de vidro é um dos
mais encomendados para
presente de casamento
E como nada escapa ao olhar atento de Teresa, que vê utilidade onde as pessoas veem entulho, o formato dos quadros ganhou mais um reforço na versão redonda: garimpadas pela cidade, as rodas de madeira dos carreteis de fiação são, agora, a nova base de sua arte. Esse tal de Exupéry sabia das coisas!

Para entrar em contato com a artesã, escreva para: oliveira.teresah@gmail.com ou telefone para (14) 34139486 e (14) 81431481.

* Reportagem publicada na edição de 29.04.2012 do Correio Mariliense

2 comentários:

  1. gostei bom pro meio anbiente e bom pra casa q fica linda

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  2. ninguem conseguiria fazer umas obras de arte assim como voce principalmente eu que tentei tentei tentei mais não conseguir mais enfim um dia eu conseguirar

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