domingo, 11 de dezembro de 2011

Kazumi Takeya usa a cultura preservacionista na arte-educação

Por Célia Ribeiro

Embora poucas pessoas se recordem, a ESALQ (Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz), de Piracicaba, famosa por oferecer um dos melhores cursos de engenharia agronômica do País, há mais de 20 anos mantinha um curso de nome sugestivo: economia doméstica. Foi lá que as sementes preservacionistas foram lançadas no coração da arte-educadora Kazumi Takeya que vem se destacando por ministrar cursos e oficinas relacionados à sustentabilidade do planeta.

Kazumi e a original pá de jardinagem
Aos 58 anos e com um currículo invejável, Kazumi lecionou no SESI de Marília por muitos anos. Atualmente, dedica-se ao ensino de jardinagem, cultivo de orquídea e bonsai na FUNDEPE (Fundação para o Desenvolvimento do Ensino, Pesquisa e Extensão) que um grupo de professores da UNESP criou e funciona na Avenida Vicente Ferreira, 1346.

Consciente da importância do educador na formação das futuras gerações, Kazumi relata o início de sua jornada ao deixar a cidade natal de Pompéia para estudar economia doméstica: “Esse é um curso que não existe mais. Ele me deu um leque de opções: nutrição, meio-ambiente, saúde pessoal e moda. Escolhi a área de saúde e dentro desta área comecei ensinar às crianças a parte da higiene, depois a preservação, aí entrou a reciclagem e não só para preservação do planeta, mas também para a geração de renda.”.
Bijuterias usam revistas e sementes como matéria-prima

Os trabalhos com sementes para confecção de bijuterias e chaveiros, jornais e revistas como matéria-prima para práticos suportes de copos, travessas e panelas, e as garrafas PET com suas 1001 utilidades, que hoje são muito difundidos, fazem parte da rotina de trabalho da arte-educadora há quase duas décadas.

Mas, são os brinquedos de sucata que fazem brilhar os olhos da educadora: embalagens de plástico resistente são reaproveitadas para a construção de bilboquês originais. A maioria das crianças nem imagina o que seja esse brinquedo que encantou gerações mais antigas. Tomando o cuidado com a escolha dos materiais e a confecção de maneira segura para cada faixa etária, a educadora transforma em diversão o que seria lançado no lixo.

OFICINAS

Kazumi Takeya costuma ministrar cursos e oficinas em “Semanas do Meio-Ambiente” de escolas e empresas, além de proferir palestras sempre que convidada. Uma das entidades que costuma requisitar sua colaboração é a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, através da educadora ambiental Jane Bocchi.
Descanso de copos faz sucesso
Perfeccionista, a educadora procura passar seus conceitos visando a qualidade e o bom gosto: “Eu dizia sempre: não é porque é reciclado que tem que ser feio. Tem que ser bonito e tem que ser durável. Como a minha área é meio-ambiente eu queria, dentro da questão preservacionista, trabalhar os objetos com semente”, disse, repudiando o extrativismo puro e simples: “De cada 10 sementes, pelo menos uma tem que plantar e as outras 09 que vai utilizar. E nunca colher à força e fazer disso um comércio. A gente coletava aquelas que realmente tinham caído”, explicou.

Em mais de 20 anos, Kazumi comandou oficinas voltadas a todos os públicos, mas sua preferência são as crianças: “Na terceira idade, num grupo de 200 pessoas, consegue 10% de pessoas que ainda acham que é importante porque, para eles, o futuro é agora. A juventude hoje pensa um pouco mais. É para eles que o planeta vai ficar”, observou.
Bilboquê de garrafa PET
Finalizando, a arte-educadora lembrou a importância de todos darem sua contribuição para minimizar as agressões ao meio-ambiente, praticando a coleta seletiva de lixo, economizando água, energia elétrica etc. “É preciso pensar no futuro, nas pessoas que estão vindo que também tenham qualidade de vida. Porque a matéria prima que a gente utiliza são os recursos naturais, alguns esgotáveis. Se não completar o ciclo do que a gente utiliza, um dia vai acabar”.

CURIOSIDADES

Um dos materiais informativos distribuídos pelo SESI relaciona algumas curiosidades. Por exemplo: 01 tonelada de alumínio reciclado (latinhas de cerveja e refrigerante) evita a extração de 05 toneladas de minério de ferro; 100 toneladas de aço reciclado poupam 27 kWh de energia elétrica; 01 tonelada de vidro reciclado evita a extração de 1,3 tonelada de areia; 100 toneladas de plástico reciclado evitam a extração de 01 tonelada de petróleo; 01 tonelada de papel reciclado evita o corte de 15 a 20 árvores, economiza 50% de energia elétrica e 10 mil metros cúbicos de água.

Uma dica interessante: muitas pessoas trocam computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos nesta época do ano. O que fazer com os objetos antigos? Acesse www.ambiente.sp.gov.br/mutiraodolixoeletronico

Obs: Infelizmente, Kazumi faleceu em 14.03.2012
* Reportagem publicada na edição de 11.12.2011 do Correio Mariliense


6 comentários:

  1. Celinha,esse blog é muuuito importante....seu trabalho nos relaciona com muita coisa importantíssima que acontece na cidade. Virei sua fã. Kazumi é show! Tem um trabalho especial e sempre foi muito admirada . Só através dessa matéria fiquei sabendo onde anda essa doutora dos jardins.... Parabéns pela matéria. bjsss

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  2. Parabéns pela matéria, Adoro a Kazumi. Fiz um curso de jardim aromático e transformei meu quintal, dscobri que posso ter uma horta linda e produtiva, mesmo sem um pedacinho de terra. Tudo em vaso!!
    http://www.flickr.com/photos/tricosemcostura/sets/72157627006309743/
    https://picasaweb.google.com/118364597571858985971/JardimAromaticoPrimeiraColheita

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  3. Parabéns pela matéria.
    Um espetáculo o trabalho da Kazumi.
    Anotado o novo endereço dessa profissional exemplar ! Muito bom redescobri-la !!
    Abraços.

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  4. Olá, meninas! Obrigada pelos comentários que aumentam minha responsabilidade em trazer para as páginas do Correio Mariliense e para este blog personagens tão especiais. Um grande beijo a vocês!

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  5. Oi Celia, bom dia.
    Belo garimpo você faz aqui, trazendo matérias como esta sobreas atividades da Sra. Kazumi.
    Coisa boa, leitura saudável e na sintonia do domingo.
    Sucesso , sempre !

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  6. Querido Ivan, muito obrigada pelo carinho. É muito bom quando pessoas sensíveis, como vc, apoiam o tipo de jornalismo que faço, levando a público o trabalho de personagens tão especiais. Grande abraço!

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