domingo, 1 de agosto de 2010

ONG atrai adolescentes com grafites

Instrutor voluntário
Por Célia Ribeiro

Os movimentos das mãos que sujavam paredes e muros com pichações monocromáticas, revelam cores e manifestam sua arte em um trabalho que vem conquistando espaço e respeito: o grafite. Mais que um modismo, as figuras coloridas são uma opção para arquitetos e decoradores se diferenciarem através de projetos residenciais e comerciais contribuindo, assim, na geração de trabalho e renda para dezenas de adolescentes.

E foi enxergando do outro lado do muro que a ONG (Organização Não Governamental) Unijovem percebeu uma oportunidade de atrair adolescentes, estimulando-os a canalizarem sua criatividade para as manifestações artísticas, em Marília/SP. Como resultado de sete anos de atividades, o grupo, formado em grande parte por voluntários (colaboradores da Unimed de Marília), tem muito para comemorar.

Segundo o coordenador de projetos da ONG, Samuel Augusto da Silva, de 25 anos, o “Unigraff não foi pensado para ajudar os garotos com material para fazerem um ou dois grafites. Resolvemos iniciar um projeto para atender um número maior de grafiteiros, agregando ex-pichadores, grafiteiros experientes ou aqueles que tinham vontade de fazer e não tinham oportunidade”.

O projeto não sai barato: cada grafite custa cerca de 60 reais, incluindo as latas de spray (11 reais por unidade), pincel, látex etc. Mesmo assim, em um ano e meio de trabalho, cerca de 50 jovens já passaram pelas oficinas do Unigraff e estão descobrindo nesta arte uma forma de geração de renda.

“A demanda é grande. Temos diversos pedidos de grafite”, contou empolgado o coordenador. Os interessados têm duas opções: solicitar o trabalho dos jovens atendidos no Unigraff, que freqüentam as oficinas, ou pedir a indicação de um grafiteiro profissional que saiu do projeto e caminha com seus próprios sprays. Neste caso, a ONG indica uma lista de nomes e os clientes em potencial se entendem com os grafiteiros, sem nenhuma intermediação de valores.

FORA DOS TRILHOS

A camiseta, a bermuda e o jeitão descolado escondem os 32 anos do grafiteiro profissional Fabiano Rodrigues Felisbido. Ao contrário de grande parte dos garotos do Unigraff, ele nunca foi pichador. Talentoso, trabalhava sob o sol do meio-dia, no fim de julho, na sede do Centro Cultural Brasil África que ganhou vida nova na zona sul.

Arte no lugar da pichação
Voluntário no Unigraff, e dono de um estúdio de arte, ele serve de inspiração para os garotos que resolveram trocar a pichação por outra forma de se manifestar: “É muito gratificante porque encontro muitos meninos interessados em aprender e que aceitam o desafio de um trabalho tão complexo que exige muita dedicação”, afirmou.

Ele lembrou que “as oficinas reúnem, em grande parte, ex-pichadores”, citando o painel que grafitava como um bom exemplo de que áreas degradadas podem ser revitalizadas quando as formas e as cores se harmonizam. Antes do grafite, as paredes do Centro Cultural Brasil África, no Nova Marília, eram alvo freqüente de pichadores. Hoje, as pessoas passam, se encantam e param para fotografar as figuras coloridas.

Semente que germinou

Samuel, coordenador
A ONG Unijovem de Marília foi criada, há 07 anos, por inspiração do presidente da Confederação das Unimeds do Estado de São Paulo, Dr. Antônio Alberto Felício. Como revela o portal da entidade na internet, ele “buscava o envolvimento do corpo funcional das Unimeds, dos filhos e filhas dos médicos cooperados, em ações educativas voltadas às vulnerabilidades dos jovens”.

Amparado na área de Responsabilidade Social da Unimed Marília, sua mantenedora, a Unijovem estimula o voluntariado corporativo e possui diversos projetos em andamento, como teatro, futsal, dança, grafite e CTU (Centro de Treinamento Unimed).

Diretoria: voluntários da Unimed Marília
Sediado em novas instalações, na Avenida Campinas, 67 (pertinho da Santa Casa), a Unijovem se prepara para conseguir novos apoiadores. Empresas ou entidades interessadas em investir nos projetos educacionais e culturais da ONG podem entrar em contato através do telefone (14) 32218388, ou e-mail: unijovemmarilia@hotmail.com

Para saber mais, acesse: http://www.unijovem.com.br/

3 comentários:

  1. Essa foi a matéria principal da página "Marília Sustentável", do Correio Mariliense, deste domingo (01/08/2010). Vou selecionar as melhores matérias, dos últimos três meses, e postar aos poucos.

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  2. Grande inspiração essa de "devolver" à sociedade parte dos benefícios angariados no interior dela mesmo. O que mais me surpreendeu e deixou feliz foi ver o nome pintado na parede da entidade: Centro Cultural Br. África. Simples iniciativas como esta demonstram quão longo é nosso caminho de retorno às origens. Embora tenhamos muito deles, pouco sabemos de África e dos africanos. Parabéns pessoal !! Bom trabalho! Abç/ Elionora

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  3. meu nome é valdirene e evangelizo crianças com teatro,estamos montando um teatro dos tres porquinhos e prescisamos das tres casinhas ,pensamos em faze-las de papelão mais grafita-la, de sapé, putra de madeira e enfim a outra de tijolos, pois viajamos por toda a diocese de marília e assim facilitaria para nos, onde eu poderia encontar um grafiteiro ,o evento será agora dia 15/5 em pompeia
    espero contar com a ajuda de vçs valdirene 3433-0539

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