quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Obesidade Infantil: hipertensão assusta em Marília

Guilherme Ravanelli, fisioterapeuta
Por Célia Ribeiro

A partir desta quarta-feira, dia 11 de agosto, o Caoim (Centro de Atendimento à Obesidade Infantil de Marília), no oeste paulista,  iniciará o mais abrangente levantamento já realizado para identificar casos de sobrepeso e obesidade junto a 10 mil alunos da Rede Municipal de Ensino, na faixa etária de 06 a 10 anos.
A equipe multidisciplinar formada por: cirurgiã-dentista, enfermeira, fisioterapeuta, duas nutricionistas, psicóloga e dois educadores físicos, iniciará os trabalhos pela EMEF “Prof. Olímpio Cruz”, localizada no Jardim Santa Antonieta. No total, 19 escolas serão contempladas pela coleta de dados até o dia 15 de dezembro.
O Caoim é uma unidade da Secretaria Municipal da Saúde que atende crianças e adolescentes, de 07 a 17 anos, com indicadores de sobrepeso e obesidade. Ao iniciar a nova turma, no dia dois de agosto, os profissionais foram surpreendidos pelos dados alarmantes obtidos.
O sinal de alerta foi emitido nesta semana: “O relatório de avaliação da pressão arterial, após teste de esforço, apontou que 36% das 70 crianças e adolescentes matriculados apresentaram alteração dos valores da pressão arterial, sugerindo um quadro hipertensivo (dados baseados na V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial - Sociedade Brasileira de Cardiologia - 2006)”, segundo revelou o fisioterapeuta Guilherme Augusto Ravanelli.
Essa informação representa um aumento de 176% neste indicador em comparação com o primeiro semestre de 2010, quando das 86 crianças que permaneceram até o final do programa, apenas 13% registraram alteração nos valores de pressão arterial.
De acordo com a coordenadora do Caoim, Dra. Luciana Pfeifer, “o diagnóstico conclusivo para a hipertensão só é possível a partir de uma seqüência de exames clínicos e complementares juntamente com acompanhamento médico”.
No entanto, prosseguiu, “os resultados obtidos, sugerindo a hipertensão, nos preocupam muito e devem servir de alerta para os profissionais de saúde, para as autoridades e, também, para a população quanto à gravidade da situação, uma vez que a hipertensão normalmente se apresenta assintomática”.

Crianças são examinadas
FISIOTERAPEUTA

O fisioterapeuta Guilherme Ravanelli explicou que antes de iniciar o programa, todas as crianças e adolescentes realizam o teste de caminhada de esforço de 6 minutos. “Isso é necessário para avaliarmos as condições cardiorrespiratórias visando a liberação ou não para as atividades físicas do programa”, assinalou.
Conforme disse, o grande número de valores alterados surpreendeu e exigiu uma nova abordagem: “Estamos monitorando, semanalmente, todos os participantes. Os casos em que os valores de pressão arterial permanecerem alterados serão contra-referenciados para a Unidade de Saúde de origem a fim de que possam ter o acompanhamento médico necessário”.
Enquanto isso, “estão sendo realizadas atividades mais leves para o grupo dos 36% de modo a garantir sua participação nos circuitos de atividades propostas pelo programa de atendimento à obesidade infanto-juvenil, mantendo-os integrados com os demais”, finalizou o fisioterapeuta.

Atividades físicas fazem parte do programa
Segundo a Dra. Luciana Pfeifer, em 2.006 foi realizado um levantamento antropométrico com 5.313 crianças de 06 a 10 anos na Rede Municipal de Ensino. Na oportunidade, foi detectado que 18% estavam com sobrepeso e 12% apresentavam IMC (Índice de Massa Corporal) equivalente à obesidade.

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